quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Closure



Este blog não receberá mais postagens.

O conteúdo nele publicado permanecerá online por tempo indeterminado.



Agradeço.



=)

sábado, 14 de agosto de 2010

les.neuf.mois




e, depois de rolarmos pela escadaria de tapetes submarinos,
voltaremos, deixando madrepérolas e conchas


(murilo mendes, trecho de estudo nº6)


domingo, 25 de julho de 2010

# 26



Katharinasponner6_large



mas acontece que este é também o meu sintoma, “não conseguir falar” = não ter posição marcada, idéias, opiniões, fala desvairada. só de não-ditos ou de delicadezas se faz minha conversa, e para não ficar louca e inteiramente solta neste pântano, marco para mim o limite da paixão, e me tensiono na beira: tenho de meu (discurso) este resíduo.
não tenho idéias, só o contorno de uma sintaxe (= ritmo).


(ana cristina césar)



sábado, 3 de abril de 2010

# 25





- lost and found.




segunda-feira, 22 de março de 2010

# 24







quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

“Le corps



Avant même d'entendre les mots, je comprends le sens. C'est le corps qui parle d'abord. Il le fait en ami ou en ennemi. Des fois, il peut être aussi chargé de désirs contenus. À ce moment, on dit qu'il est plein à craquer de sens. Le corps peut murmurer, crier, hurler, chanter, sans prononcer un seul son. Il peut même exprimer le contraire de ce que les mots disent. On ne comprend vraiment un homme que quand on peut capter ce qu'il veut dire avant même qu'il ouvre la bouche”.


(Dany Laferrière, Pays sans chapeau, p. 84-85)


#port:

“O corpo

Antes mesmo de escutar as palavras, compreendo o sentido. É o corpo que fala primeiro. Ele o faz entre amigos ou inimigos. Às vezes, ele pode estar também carregado de desejos contidos. Nesse momento, diz-se que ele está prestes a entrar em colapso. O corpo pode murmurar, chorar, gritar, cantar, sem emitir um único som. Ele pode até mesmo exprimir o contrário daquilo que as palavras dizem. Um homem só é verdadeiramente compreendido quando se pode captar aquilo que ele quer dizer antes mesmo que ele abra a boca”.



sábado, 13 de fevereiro de 2010

# 23








terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

compasso, passo, peso; compasso, passo, peso;






da parede, sons. sussuros, caminhando. rachaduras, vales, concreto, pó. pequenas vozes. dizendo, silêncio. pausa. (volte a respirar).







terça-feira, 12 de janeiro de 2010

[cinema: quote # 02]




Narrateur: Amélie a soudain le sentiment étrange d'être en harmonie totale avec elle-même. Tout est parfait en cet instant. La douceur de la lumière, ce petit parfum dans l'air, la rumeur tranquille de la ville. Elle inspire profondément et la vie lui paraît alors si simple et si limpide qu'un élan d'amour, comme un désir d'aider l'humanité entière, la submerge tout à coup.



[de Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, 2001]





#eng:

(Narrator: Amélie has suddenly a strange feeling of absolute harmony with herself. Everything is perfect in this moment. The softness of the light, this scent in the air, the quiet murmur of the city. She breaths deeply and life seems so simple and so clear to her that a surge of love like an urge to help mankind comes over her).


#port:

(Narrador: Amélie sente de repente um sentimento estranho de absoluta harmonia com ela mesma. Tudo é perfeito nesse momento. A suavidade da luz, esse perfume no ar, o murmúrio tranqüilo da cidade. Ela respira profundamente e a vida lhe parece tão simples e tão clara que uma onda de amor, como um desejo de ajudar a humanidade inteira, a submerge de uma vez).



- sobredoismilenove -





ano estranho... não lembro muito bem, não lembro mais. ano longo... acabou já? ano escuro... muito trabalho, muito cansaço. tenho flashs... crises, risadas, protestos, amigos, frio, conversas longas, gente esquisita, meu quarto, estafa, tantas festas... nossa, festas! transformações. destruição. etapas. acho que eu cresci mais um pouco... será? teve luz e surpresas. luz... eu ganhei luz! foi um ano estranho. intenso, afinal. feliz? é... acho que sim. cortante e úmido, mas feliz. (até que) e(n)fim.



[fogos de artifício]
(clap, clap, clap)




[escrito incoerentemente por não poder ser de outro jeito]



em tempos de água...



às vezes a gente fica se perguntando que tempestade vem. olha a janela... fica esperando. as nuvens balançam gorduchas, lentas. é uma expectativa de angústia, mas, ao mesmo tempo, lá no fundo, você já pode estar na certeza de que vem chuva boa, daquelas fortes, frias e limpas, daquelas que você quer agarrar com a mão e colocar na língua.
eu sempre espero a tempestade. é um medo de espera(nça), na verdade. é como o hipocondríaco que aguarda a tosse. ele espera que ela venha, e quando vem, ele suspira ao mesmo tempo alegre e triste, pois ainda não sabe se é tuberculose ou só um simples espasmo (realmente não sei o que gera qual suspiro).
o engraçado de toda essa água é perceber como é difícil/fácil se acostumar com chuva quando sempre se teve tempestade. não acho as tempestades ruins (entendo desses alagamentos), mas quando se tem chuva, simplesmente chuva, ela só... no início a gente ainda abre a janela procurando os raios e os trovões, vislumbrando inundações, mas, um pouco depois, a gente já quer ficar a dançar na garoa fina e bebericar o sempre na chuvinha doce.

sim, eu sei que no final das contas é tudo líquido. chuva é chuva, ponto. assim, acho que na verdade depende de onde a gente olha as gotas... a gente olha sendo afogado por elas ou tem alguém ao seu lado oferecendo um guarda-chuva aberto?


enfim, pontos de (chu)vista.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

# 22






transatlantique.



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

deluge



dans l'escalier, des mains attendent l'eau qui arrive
l'eau qui arrive et envahie
envahie le corps qui attend des mains
demain, dans l'escalier.


*

dilúvio

na escada, mãos esperam a água que chega
a água que chega e invade
invade o corpo que espera mãos
amanhã, na escada.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

# 21







“let the seasons begin”.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

[ночь]




da nuca suspira o grito dos desesperados. nas mãos, esse sufoco intenso, a fuga doce do que não se pediu pra ficar. e no silêncio de quem é cúmplice e se espelha nos tetos à luz cerrada, um abismo se funde e a separação parte. é o não-crer no não-possível, o não-saber mais saber-crer.



(e pingaram arco-íris na realidade).



terça-feira, 3 de novembro de 2009

# 20





“das raízes negras e suaves do mundo”.



(clarice lispector, trecho de conto)



sábado, 24 de outubro de 2009

dos oceanos.




na destoada tempestade, confusão de mãos e dentes. a perda sempre tão intensa. o prender do vermelho-verde-azul pra desenlaçar o branco, marcar nuvens, fechar as palavras na impossibilidade do possível. (e tantas pontes pensas) no sutil esquecimento em vento, poeira, morte. o nunca.
somos sós,
do medo.
dos oceanos quebrados.
da imensidão da nunca eternidade.



precisamos de barcos.



(ainda há barcos?)

...





sexta-feira, 25 de setembro de 2009

“uma coisa, despretensiosa”


“
Na obra de arte autêntica o artista inventa sempre. Uma vez terminada, a obra torna-se outra coisa. Pois, de uma forma ou de outra, a arte é sempre um começo*. Quem disse isto não foi uma mulher: foi Picasso. Um que agüentava melhor do que ninguém o desafio de começar do nada, a partir da sucata, do lixo, do papel rasgado, e produzir – sobretudo em sua escultura – não o monumental mas o efêmero, não o objeto pronto e acabado que simula a Coisa mas uma coisa, despretensiosa - assim mesmo, com letras minúsculas. Dar forma ao que não existia: criar uma coisa capaz de revelar, em sua precariedade proposital, o próprio truque do artista que transforma os restos e dejetos da civilização em idéia, em forma nova; que transforma o lixo em graça, em vida, em movimento. Nas esculturas, e sobretudo nas colagens de Picasso, a obra é ao mesmo tempo a coisa inventada e a brincadeira que a originou. Uma mulher feita de telha, pedaços de cano, restos de madeira e um galho seco, certamente não se pretende forma eterna e realizada. Mas realiza a eternização do gesto livre que lhe deu origem”.


*Citado em: Picasso Sculptéur, catálogo da exposição de mesmo nome no museu Beaubourg, Paris, 2000.


(Maria Rita Kehl, trecho do artigo O peso da feminilidade, 2003).

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

rosa, g. sertão, veredas.

[a t.]


“Gostava e não gostava. Sei, sei que, no meu, eu gostava, permanecente. Mas a natureza da gente é muito segundas-e-sábados. Tem dia e tem noite, versáveis, em amizade de amor”.


(p. 196)


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

de móbiles, cataventos e potes de estrelas



quando acordei, abri logo a janela pra ver se era dia de sol ou dia de chuva. o vento fez de repente barulhos no móbile azul e gomos de sol despencaram sobre mim. era dia de sol e desesperanças. percebi imediatamente que eu preferiria hoje um dia nublado.

minha priminha de cinco anos tá aqui no meu quarto, mexendo nas coisas. ela achou um globo que tenho, bem pequeno. eu disse que ele girava, ela o girou um pouco e me perguntou: “é assim que faz o nosso planeta, né?”. “é, sim. a gente fica girando. igual ao catavento”. “e por que a gente não cai?”. e daí eu tentei explicar a lei da gravidade (péssimo, eu sei). ela fez que entendeu. e então ela encontrou um potinho cheio daquelas estrelinhas de plástico que brilham, da época em que eu ficava fazendo artesanato com papel. ela achou lindo. dei pra ela o pote de estrelas. ela achou também as bexigas murchas ainda do meu aniversário, que estavam escondidas perto do violão. achou a vela de gel que ganhei há muito tempo. eu demorei tanto pra acender essa vela que acho que hoje ela nem acende mais. agora ela achou um patinho de pelúcia, bem amarelo e torto, que comprei pra dar de presente e nunca cheguei a dar. “ele fala?”. “não... ele tinha um botãozinho que acendia, agora acho que não funciona mais”. “pode levar?”. “pode”. “vou colocar na minha bolsa”. e ela fica subindo e descendo a escada, perguntando o que faço no computador, olhando os livros na mesa, brincando com o boneco do johnny, o bravo que ganhei de um amigo. hoje minhas irmãs e minha prima, mãe da minha priminha de cinco anos, foram passear no parque do ibirapuera. eu não fui. é difícil sair do moletom, de casa. quando voltaram, trouxeram dois cataventos. agora ela achou o suporte onde guardo as lentes de contato que me ajudam a enxergar. “quê isso?”. “ah, é onde eu guardo as lentes. tem gente que usa óculos pra ver direito, eu uso lentes. pode abrir, mas cuidado com o líquido que tem dentro”. ela faz cara de dúvida. “quer ver como é?”. “quero”. “não vai ficar com medo se eu tirar pra você ver?”. ela olha. “não”. tiro a lente do olho direito e ela faz uma cara de “uau”. a mãe dela sobe e avisa pra se despedir. “mãe! mãe! olha!”. pra mim: “faz de novo!” eu tiro a lente e ambas ficam olhando. “mãe, a minha amiga mariana usa óculos de grau”. quando elas chegaram do parque e eu vi os cataventos, um dela e outro da minha irmã, perguntei brincando por que não tinham trazido um pra mim. mas não era bem uma brincadeira. foi que, quando vi os cataventos, veio uma saudade funda na boca, na mente as tardes da infância surgiram, aquelas onde eu ficava sonhando em ter um catavento. até que aprendi a fazer um. lembro que sempre gostei das coisas que de alguma forma voavam. fiz balõezinhos de sacola plástica, pára-quedas onde a gente amarrava uma caixa de fósforo vazia com uma pedra dentro pra dar peso e fingir ser soldado. soltei pipa uma ou duas vezes, sempre com a supervisão dos meninos vizinhos. pirocópteros! como eu juntava moedas pra comprar pirocópteros! aliás, pirocópteros, maria-mole e umas balinhas coloridas que eram puro açucar e vinham dentro de um tubinho plástico. mas os pirulitos com aquela hélice na ponta eram os melhores. adorava ficar girando aquilo e disputando qual ia mais alto. pena que eu tinha o azar de que sempre caiam no telhado. e quando chovia, ficavámos na janela pra ver onde os pirocópteros iam cair com a água no telhado levando tudo. assim que acabava a chuva começava a correria pelo quintal pra ver quem conseguia recuperar mais pirocópteros perdidos. minha priminha veio se despedir. veio logo com um abraço. daí eu suspendi ela no ar e apertei forte. “da próxima vez eu vou no ibirapuera com vocês, tá? e vê se cuida do catavento”. “quando eu achar um na feira eu pego (pra você), tá?”. acho que ela ouviu a minha brincadeira sobre o catavento. e de repente me deu uma vontade grande de chorar e de ter um filho.


não sei porque o dia hoje não foi nublado.